Conseguir definir o sexo dos potros antes de seu nascimento é um sonho que todo criador tem. Isso, para muitas pessoas, ainda é uma grande dificuldade. Aqui, nós sempre fizemos nossos potros sexados pela fase da lua e não erramos nenhuma até agora.
Em seu primeiro ciclo estral, cerca de 7 dias após o nascimento do potro, observamos a lua. Se for a lua que desejamos para cobrir a égua, realizamos a cobertura; se não, esperamos mais um pouco e, então, aplicamos um medicamento para indução de cio.
Como os vídeos que fizemos sobre as éguas que colocamos para cobrir estão repercutindo muito, vou explicar melhor.
A égua Delicada da Pedra Amolada foi colocada no ciclo estral de 7 dias após o nascimento do potro. Já a Heureca Narciso, esperamos passar o ciclo de 7 dias do potro e induzimos a ovulação na lua para macho. E deu tudo certo como queríamos: da Delicada nasceu a fêmea (nome da potra: Bela) e da Heureca, um macho (nome do potro: Blindado).
Embora haja muitas especulações, temos certeza de que, ao realizar uma pesquisa, muitas variáveis precisam ser consideradas. Temos estudado diversos trabalhos já realizados, embora muitos estejam desatualizados, entre 2011, 2012, 2016 e até o mais recente que vimos, de 2023. No entanto, fala-se mais sobre o perigeu e o apogeu, que é quando a lua está mais próxima ou mais distante da Terra. Também observamos que não há datas específicas nas quais as pesquisas foram feitas, o que impossibilita saber qual era a fase da lua naquele momento. Com as datas, conseguimos identificar qual lua possivelmente ocorreu a fecundação.
Por isso, sempre que cobrimos algum animal, registramos na carteira de vacinação a data da cobrição e qual foi o garanhão utilizado.
No caso da égua Delicada, houve um fato interessante. Nós a colocamos duas vezes para cobrir no cio do potro; pelas nossas contas, seria fêmea e foi. Porém, na terceira vez, ainda no cio do potro, ela não apresentou cio — houve um atraso, como se a própria natureza buscasse um equilíbrio. Achamos isso interessante, pois a natureza tem seu próprio ajuste quando se trata da monta natural.
Ou seja, se ela tivesse entrado em cio nos 7 dias após o nascimento do potro, seria novamente na lua de fêmea, o que resultaria na terceira cria fêmea. No entanto, ela atrasou o cio do potro, impossibilitando, naquele momento, a geração de uma nova fêmea. Ela veio a entrar em cio justamente na lua para macho.
Fatos que vemos no mundo do cavalo e seus interesses.
Sempre tivemos cavalos, e o que vemos hoje é muita falta de profissionalismo por parte de alguns veterinários e pesquisadores. Quando entramos em uma faculdade de Veterinária, a primeira coisa que fazem é dizer que não sabemos nada e que tudo o que aprendemos deve ficar do lado de fora. Em tese, até concordo com algumas coisas — assim como aprender a dirigir antes de tirar a carteira de motorista. Porém, hoje não vemos pesquisas, em qualquer área, que realmente nos beneficiem. Basta olhar ao redor para perceber que cada grupo defende seu próprio modo de pensar, e, se você não pensa igual, é excluído.
Pense em como é caro e difícil produzir um potro sexado. Veja o que o MF Rural diz:
Exemplos de preços encontrados:
Pampa/Passeio: de R$ 5.000 a R$ 20.000.
Quarto de Milha: pode ultrapassar R$ 18.000,00.
Mangalarga/Crioulo: encontrados a partir de R$ 2.000 a R$ 2.700, em casos específicos (animais mais novos ou sem registro de elite).
(Pesquisas feitas no Google.)
Agora me diga: quem mais ganha com essas pesquisas mal feitas e pouco elaboradas?
Eu? Você? Não, com certeza não. Até porque nós já pagamos mais de R$ 16.000 em um embrião que, hoje, nos custa R$ 40.000 apenas o óvulo. Pare para pensar!
E, por mais que você pague esse valor, não temos certeza de nada. Na verdade, com relação à veterinária, muitas vezes não temos garantias, e exames mais elaborados nem sempre são realizados quando recebemos um profissional em nosso haras — que, muitas vezes, não tem estrutura para manter um laboratório e atendimento veterinário 24 horas. Não estou generalizando, pois há veterinários realmente muito bons; porém, também há muitos que se aproveitam. Agora, pense em como é o procedimento de coleta e inseminação de embriões em cavalos. Mesmo quando compramos por meio de um leilão, pagamos por anos a fio e ainda não temos a garantia se será macho ou fêmea.
Você já viu ou passou pelo processo de inseminação de um embrião equino? Sabe qual é o custo disso?
Vou te contar aqui.
O custo do processo de reprodução com embriões em cavalos pode variar bastante, mas, na prática, ele é considerado alto — especialmente no Brasil e em raças valorizadas. Vou te dar uma visão realista dos valores:
Custos médios envolvidos
1. Coleta de embrião (lavagem uterina):
- Entre R$ 1.500 e R$ 5.000 por tentativa
2. Transferência do embrião para a receptora:
- Cerca de R$ 1.000 a R$ 3.000
3. Manutenção da égua receptora (barriga de aluguel):
- De R$ 500 a R$ 1.500 por mês
- Ao longo de 11 meses: R$ 5.000 a R$ 15.000
4. Inseminação (sêmen do garanhão):
- Pode variar MUITO:
- Comum: R$ 2.000 a R$ 10.000
- Garanhões de elite: R$ 15.000 a R$ 50.000+
5. Medicamentos hormonais e acompanhamento veterinário:
- Entre R$ 1.000 e R$ 5.000
Total aproximado
- Mais simples: R$ 10.000 a R$ 20.000
- Intermediário: R$ 20.000 a R$ 40.000
- Alto padrão (genética top): R$ 40.000 a R$ 80.000+
⚠️ E o ponto mais importante:
Mesmo com todo esse investimento, não há garantia do sexo do potro (macho ou fêmea), a não ser em técnicas muito específicas e ainda pouco acessíveis ou caras.
Além disso:
- Nem toda coleta dá embrião
- Nem toda transferência resulta em prenhez
- Pode ser necessário repetir o processo
🧠 Conclusão (bem realista)Você pode investir dezenas de milhares de reais e ainda assim não ter
- garantia de prenhez
- garantia de sexo
- garantia de sucesso
Por isso, muitos criadores acabam buscando métodos próprios (como nós fazemos), tentando aumentar as chances com base em experiência prática. Se não temos garantia, porque não podemos usar o que temos de conhecimento e experiência?
Estou falando como um pequeno criador, que ama cavalo e quer, sim, ganhar dinheiro vivendo daquilo que ama. Mas todo começo é difícil, e é justamente nessa fase que muitos desistem: muito gasto e pouco retorno — reiterando, para quem quer viver do cavalo.
As pesquisas, muitas vezes, acabam beneficiando um sistema que é grande demais para pessoas pequenas como nós.
Por isso, o Casal na Doma enfrenta tantos ataques. Olhar de fora é uma coisa, mas, quando você entra no sistema, começa a entender o que realmente acontece.
Mas vamos ao que interessa.
A revista Regeo afirma que estudos retrospectivos em grande escala não demonstraram significância para cavalos, embora tenham apresentado bons resultados em cachorros. Ainda assim, as pesquisas deles indicam maior incidência nas fases da lua que mencionamos para macho e fêmea.
Vamos lá:
As fases da lua ao longo do mês são quatro: lua nova, minguante, crescente e cheia. Veja no calendário de abril de 2026.

Aqui contamos assim:
Lua cheia e lua crescente: macho.
Lua minguante e lua nova: fêmea.
Sempre consideramos também o intervalo de cerca de 3 dias para a ovulação, que é quando ocorre a fecundação, formando o pequeno embrião. Isso acontece mesmo quando induzimos o cio da égua com um medicamento apropriado, como foi o caso da égua Heureca Narciso, na qual induzimos com o medicamento Ciosin.
Deixamos bem claro que esse é o método que sempre utilizamos: fazemos todos os cálculos e, até agora, obtivemos resultados totalmente satisfatórios.
É claro que a natureza tem seu próprio equilíbrio, e nós, como estudiosos do cavalo, buscamos sempre aprender, reter o que é bom e aplicar nossa experiência em tudo o que fazemos. A vida é assim: nem só os estudos estão certos, nem só as experiências estão certas. Mas, com toda certeza, a experiência naquilo que fazemos todos os dias nos torna capazes e preparados para pesquisar e desenvolver nossos próprios métodos.
- Nunca pense que sabe tudo; a verdadeira sabedoria começa quando aprendemos a ouvir os mais experientes.
- Quem despreza a sabedoria dos mais velhos caminha sem direção; quem escuta, encurta caminhos.
- O orgulho fecha portas, mas a humildade de ouvir os mais velhos abre caminhos.
Você é capaz. Faça suas pesquisas e mostre ao mundo, mas saiba que haverá muitos críticos que tentarão te parar. Não pare, não retroceda. Suas experiências são suas e, por mais simples que pareçam, elas podem contribuir para a vida de outras pessoas.
De onde surgiu o embasamento da nossa pesquisa
Sempre gostamos de cavalos desde pequenos. Vendo que esse interesse era verdadeiro, seu Gilberto nos passou tudo o que sabia sobre sua lida diária com os cavalos. Ele era um tropeiro antigo, com muito conhecimento nessa área; comprava e vendia cavalos com seu avô e seu pai. Era de Sapé, na Paraíba.
Certa vez, ele me chamou em um canto e disse que iria me ensinar tudo o que havia aprendido com seus antepassados — e foi exatamente isso que fez. Ensinou-me sobre as fases da lua para obter potros sexados, os sinais de nascença, como comprar um bom cavalo. Afinal, ele passava meses no lombo desses animais, viajou muito pelo sertão e conheceu todo tipo de gente, cavalos e muares.
Convivi com seu Giba por muitos anos, conversando e levando cavalos para ele avaliar. Foi por meio dele que tudo isso começou, e levar esse legado adiante, falando sobre ele, é uma honra. Ele sempre costumava me dizer para não compartilhar isso com ninguém, pois queria que apenas eu soubesse escolher e comprar cavalos com esse método. Mas, hoje, quero ensinar, para que o mundo saiba que existiu um velho sábio que sabia reconhecer um bom cavalo.
Em memória de seu Gilberto (1929–2024) — para sempre levaremos seu legado. Até o dia em que nos encontraremos novamente na eternidade com nosso Salvador.
Queli Souza por Casal Na Doma.

