Crina para esquerda e pé branco para esquerda:

No campo, a gente aprende cedo que o cavalo fala antes de abrir a boca.
Fala pela crina, pelos pés, pelas castanhas, pelo jeito de olhar e reagir.Foi assim que aprendi com o Seu Gilbeto, um tropeiro antigo que recebeu esse legado dos seus antepassados e quando nos conhecemos ele passou para mim. Ele disse que via o quanto eu gostava de cavalo, e que ia me ensinar a escolher bons cavalos.
Hoje quero conversar sobre dois sinais bem conhecidos na lida:
- Cavalo com crina para a direita e pé esquerdo branco: São cavalos que eles são dominantes, porém a dominância é apenas para animais, ele não transfere isso para o ser humano.
- Cavalo com crina para a esquerda e pé esquerdo branco: Esses já são bem mais dominates e vai disputar a liderança com o ser humano, ele vai tentar o tempo todo permanecer na liderança, por mais bem domado que seja, quando trocar liderança ele vai testar.
Mas o que mais “condena” os cavalos é o sinal de dentro da boca. Esse sim já diz que cavalo é agressivo com qualquer ser vivo. Ele avança, corre atrás, morde, ele sempre será cavalo de um dono só. Essa é uma leitura de vivência, passada de geração em geração.
A crina caída para a direita normalmente indica um animal:

- Mais equilibrado
- Que aceita melhor a aproximação
- Aprende bem com paciência.
Já o pé esquerdo branco mostra que:
- Ele vai querer dominar
- No iníco da doma não devemos levar esses cavalos a exaustão e sim acordo de liderança.
- Ele vai testar o domador quando se sentir acuado.
Aqui a conversa muda um pouco.
A crina virada para a esquerda, na leitura antiga, costuma indicar:
- Cavalo de temperamento mais forte
- Tendência a ser mais dominante
- Animal que questiona a liderança se não houver acordo de liderança
Somando isso ao pé esquerdo branco, geralmente temos um cavalo que:
- Observa muito antes de confiar
- Aprende, mas no tempo dele
- Não aceita imposição sem sentido
É cavalo que exige:

- Mais constância
- Mais firmeza tranquila
- Menos força e mais acordo.
O que nunca muda
No campo a gente sempre diz:
“Sinal ajuda a entender, mas quem doma precisa ter o cuidado até mesmo no manejo.”
Esses sinais de nascença nos ajuda a ter a doma bem feita, o respeito e o dia a dia com o animal.
Eles ajudam a não errar no começo, a chegar do jeito certo.
Cada cavalo é único.
Mas quem observa, erra menos.
Esses cavalos nunca vão deixar de ser dominates, mas com a abordagem certa eles não afloram o intinto de dominância com tanta intensidade. Quando ele entende que você é um bom líder, fornece tudo que ele precisa sem ele ter que ir buscar, ele entende que você é um bom lider. Ele pode até brigar um pouco, mas ele vai ceder quando ele enteder que você é o lider dele. Agora se ele entender que você não está provendo o que ele precisa, com toda certeza ele vai tomar suas próprias atitudes, assumindo a liderança, com reações de morder e dar coises, é com se ele pensasse assim:
Ele não é um bom lider, preciso tomar o meu espaço.
Por isso analizamos os potros assim que nascem, para fazer os primeiros contatos no cabrestiamento com acordo de liderança.
A crina, os pés e o jeito dele já estão contando uma história.
Cabe a nós escutar — com calma, respeito e verdade.
🐎
Casal na Doma – tradição, leitura e parceria com o cavalo – Queli Souza


